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Fertirrigação

Fertirrigação com efluentes: o que avaliar antes de aplicar

Digestato e dejeto tratado não têm dose universal. A aplicação responsável começa no laboratório e termina no registro e monitoramento do talhão.

Técnico inspecionando filtro e bomba de fertirrigação em área agrícola
Técnico inspecionando filtro e bomba de fertirrigação em área agrícola

Em resumo

  • A dose depende do solo, da cultura e da composição do material.
  • O nutriente ou elemento de maior risco pode limitar a aplicação.
  • A bomba distribui; a recomendação agronômica define quanto, onde e quando.
  • Chuva, relevo, proximidade da água, armazenamento e histórico do talhão entram na decisão.

Chamar todo digestato de “biofertilizante pronto” cria uma falsa sensação de segurança. A biodigestão altera o material, mas não faz nutrientes, sais, sólidos ou riscos desaparecerem. Antes de abrir a válvula, é preciso saber o que será aplicado e quanto a área pode receber.

As três análises que fecham a dose

A orientação técnica da Embrapa relaciona:

  1. análise do solo por talhão;
  2. necessidade e exportação da cultura;
  3. composição do efluente ou digestato.

Essas informações devem ser avaliadas por profissional qualificado. O elemento que apresenta maior risco de acúmulo, perda ou redução de produtividade pode limitar a dose, mesmo que outro nutriente ainda pareça insuficiente.

Por que N-P-K pode não bastar

Dejetos possuem nutrientes em proporções diferentes das necessidades das plantas. Dosar somente pelo nitrogênio pode acumular fósforo; dosar por outro elemento pode exceder sais ou micronutrientes.

Conforme a origem e o risco, pH, condutividade, sólidos, matéria orgânica, patógenos, cobre e zinco também podem ser relevantes. O pacote analítico deve ser definido para o material real, não copiado de outro sistema.

O campo também impõe limites

Antes da aplicação, confira chuva prevista, umidade do solo, declive, erosão, drenagem e distância de poços e cursos d'água. Aplicar em solo saturado ou antes de chuva intensa aumenta escoamento e perda de nutrientes.

O histórico importa. Um talhão que recebeu aplicações repetidas pode apresentar acúmulo mesmo que a dose isolada pareça moderada.

A função do armazenamento e do equipamento

Se o clima ou a cultura não permitem aplicar, o sistema precisa armazenar com segurança. Sem reserva, a pressão operacional pode transformar fertirrigação em descarte.

Bomba, filtros e linhas devem lidar com sólidos, pressão e vazão. Uniformidade precisa ser verificada e o volume aplicado por área deve ser registrado. Equipamento maior não corrige recomendação errada.

Checklist antes de abrir a válvula

  • origem, processo e estabilidade do material;
  • volume e sazonalidade;
  • amostragem e análises definidas pelo risco;
  • análise de solo e histórico por talhão;
  • cultura, produtividade e janela;
  • nutriente ou elemento limitante;
  • clima, relevo, drenagem e águas próximas;
  • armazenamento para os dias sem aplicação;
  • bomba, filtro, pressão e uniformidade;
  • contingência para pane ou chuva;
  • registro e monitoramento.

O que dizem as regras

A Resolução CONAMA 430/2011 esclarece que a disposição no solo não pode causar poluição ou contaminação das águas. No licenciamento de suinocultura em Santa Catarina, a IN 11 do IMA/SC traz requisitos estaduais para armazenamento e aplicação. Outros estados podem ter condições diferentes.

A aplicação deve seguir licença, plano e responsabilidade técnica aplicáveis. Não existe taxa nacional única em m³/ha para todo digestato e cultura.

A LJS pode apoiar a infraestrutura de irrigação e fertirrigação, armazenamento e bombeamento. A recomendação agronômica e a análise laboratorial permanecem atribuições dos profissionais correspondentes.

Referências técnicas

Fertirrigação com efluentes: o que avaliar | LJS | LJS Soluções Ambientais